quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Um Lugar na Platéia - Fauteuils d'orchestre




Amor ao luxo.

O filme mostra diversas pessoas ligadas à arte e seus anseios. Com os conflitos de cada um a diretora Danièle Thompson tinha um prato cheio para um drama pesado. Escolheu, porém, uma comédia sutil para retratá-los.

Quatro personagens são muito bem explorados. Uma garçonete, um colecionador, uma atriz e um pianista.

Garçonete: órfã que sai do interior em busca de emprego em Paris. Sua avó trabalhara no Hotel Hitz. O amor ao luxo a fez ficar perto de personalidades ligadas à arte, mesmo que fosse para servi-las. Essa influência da avó a faz partir em busca de experiências na capital e com simplicidade consegue agradar aos que a rodeiam.

Colecionador de arte: está vivendo seus últimos dias. O apego obras de arte não tem mais muito sentido. Ele se desfaz de seus quadros favoritos (Braque, Picasso, Léger e Modigliani). Mas uma escultura tem um valor especial. “O Beijo” de Brancusi. A obra vai a leilão mas acaba tornando-se elo entre a frágil relação do colecionador com seu filho.

Atriz: famosa em seu país por novelas populares, anseia por fazer papéis mais densos e de profundidade psicológica. Apesar de insegura, mostra-se como uma notável atriz ao revelar a um diretor americano seu desejo em fazer um papel mais significativo.

Pianista: preso pelas convenções sociais. Não suporta mais concerto em grandes teatros para platéias que mais se importam em se mostrar que realmente apreciar a música. Relata que concertos clássicos o afastam da música assim como igreja o afasta de Deus. Em um concerto, toca Consolação nº 3 do húngaro Franz Liszt. Trata-se de uma música de caráter harmônico que resulta numa busca de compreensão e sensibilidade pelo autor.

O mérito do filme é não querer ser ousado. É sem exageros. Difícil tarefa quando o tema é o mundo artístico.


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