
Tarde de sábado. Três horas da tarde. Ingresso um real. O Goiânia Cine Ouro está reprisando filmes do Festcine. Não tive oportunidade de ir antes. Estava viajando. O filme começa. É uma cópia em VHS, ainda não finalizada e de qualidade ruim. Tem até uma mensagem no canto superior da tela que denuncia que não é uma cópia para cinema. Logo pensei “quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Estava completamente equivocado. A projeção ruim foi o único defeito da tarde pois o filme é fabuloso.
A personagem principal é de Bruna Lombardi. Teca. Uma astróloga que tem um programa de rádio. Outras histórias são interligadas por esse núcleo central. Robert Altman é especialista nisso e creio que o falecido diretor veria em Bruna um talento de uma nova geração de roteiristas. Tenho extremo respeito por Bruna Lombardi desde que fez uma entrevista com o tecladista do Pink Floyd (Richard Wright) em uma época em que os integrantes da banda eram alheios à imprensa e quase não falavam. Ela conduziu muito bem. Não foi tiete, tinha conhecimento sobre o que estava perguntando e foi uma excelente entrevista. Até gravei um VHS e não acho por nada essa fita aqui em casa.
São Paulo abriga distintos cenários. Cada um em seu universo. Astros na imensidão do céu. Assim são as pessoas. Separadas mas interligadas. Movimentadas pela natureza de existir. Assim é o poema que o Sombra lê para o enfermo:
Se perdem gestos
cartas de amor, malas, parentes
Se perdem vozes
cidades, países, amigos
Romances perdidos
objetos perdidos, histórias se perdem
Se perdem o que fomos e o que queríamos ser
Se perde o momento.
Mas não existe perda,
existe movimento.
São tantas histórias interessantes. Posso rever o filme mais umas duas vezes que irei compreendê-lo melhor.
Direção e edição seguras. Trilha sonora precisa. O filme é cheio de surpresas agradáveis. Fala de tristeza, tolerância, amizade, amor, frustrações e esperança. Tudo sem exageros. Fiquei feliz por se tratar de um filme brasileiro.
Afinal o mais interessante na arte é o seu poder de transformação. O Signo da Cidade me mudou. Um dos grandes filmes do ano.
Um comentário:
Por favor, se voce encontrar a fita da entrevista, trasnforma em arquivo e memanda. Obrigado
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