
É complicado falar sobre amizade. A convivência e o cotidiano podem trazer falsas impressões sobre afeto. Talvez por um instinto velado de sobrevivência, amizades se formam. O próprio tema do filme recorre a isso. François (Daniel Auteuil) é um marchand que não percebia ter amigos até o momento em que sua sócia o confronta. No começo parece brincadeira. Mas é verdade. Ninguém gosta de François. Ele é aturado pois a convivência requer aceitação e pela sua posição social, o marchand sempre foi tolerado. Só isso. O orgulho de François o impede de perceber o quanto ele é chato e não consegue fazer amigos.
Do outro lado da balança está o taxista Bruno (Danny Boom). Pessoa carismática, de fácil aproximação. Faz da sua profissão um exercício diário de comunicação. Toda essa desenvoltura o faz se aproximar de François e de sua filha. Uma adolescente distanciada do pai e carente de afetos paternos.
Demora muito para François perceber que Bruno é um amigo de verdade. Sua vaidade o faz exibir como prêmio. É capaz de fazer amigos como qualquer um então. Volta então a se sentir normal. Novamente os sentimentos dos outros em vão.
Saint-Exupéry já havia dito que uma pessoa para compreender tem de se transformar. E é essa transformação que François tem que buscar. Mesmo com altos e baixos o filme tem um desfecho interessante apesar de se perder um pouco no meio.
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