sábado, 3 de novembro de 2007

Paris Je T'aime


Histórias de amor na cidade mais romântica do mundo

Proposto a cineastas descreverem histórias de amor ambientadas em Paris. Cada curta durando em média 5 minutos. A escolha dos diretores mostra o ambiente multicultural parisiense. O filme mostra vários aspectos de Paris não tendo como no final ficar com uma visão estereotipada da cidade. Gostei muito do resultado final. Não há como ficar entediado pois mesmo que um dos curtas seja ruim, é só esperar uns 5 minutos que todo o conceito do filme pode mudar.

“Montmartre”, de Bruno Podalydès
com Bruno Podalydès e Florence Mueller


Motorista preocupado com uma vaga no trânsito que não consegue achar no bairro de Montmartre. Após conseguir a vaga, reflete sobre relacionamentos e solidão. O protagonista se sente só “miseravelmente só”

“Quais de Seine”, de Gurinder Chadha
com Leïla Bekhti e Cyril Descours

Rapaz com atitude desrespeitosa com as mulheres muda seu comportamento ao se identificar com garota árabe. Mesmo sob reprovação de seus amigos encontra lugar para gentileza despertada pelo interesse pela garota. Garota árabe vê no uso do hijab a afirmação de sua identidade que encanta o jovem francês

“Le Marais”, de Gus Van Sant
com Marianne Faithfull, Elias McConnell e Gaspard Ulliel

Um jovem francês se declara para um jovem americano acreditando no amor transcendental mesmo o vendo pela primeira vez. Mostra o despertar do amor e a dificuldade de comunicação. Gus Van Sant sempre preciso ao retratar jovens.

“Tuileries”, de Joel e Ethan Coen
com Julie Bataille, Steve Buscemi, Axel Kiener e Frankie Pain

Humor negro é a especialidade dos irmãos Coen. Steve Buscemi é de novo aquele cara que se dá mal mesmo não fazendo por merecer. É no metrô de Tuileries que o turista americano é alvo da hostilidade de transeuntes.

“Loin du 16ème”, de Walter Salles e Daniela Thomas
com Catalina Sandino Moreno

História de uma mãe que deixa seu filho em um berçário para ser babá em uma casa. A colombiana Catalina Sandino Moreno é outra vez caracterizada como a imigrante sofrida (já foi assim em “Maria Cheia de Graça” e “Fast Food Nation”). Curta de poucas palavras com a característica marcante da dupla de diretores brasileiros.

“Porte de Choisy”, de Christopher Doyle
com Barbet Schroeder e Li Xin

Um vendedor de cosméticos tenta convencer moças asiáticas sobre seus produtos. Christopher Doyle é diretor de fotografia preferido por muitos realizadores orientais e usa a fotografia como o ponto alto de seu filme.

“Bastille”, de Isabel Coixet
com Sergio Castellitto, Emilie Ohana, Miranda Richardson e Leonor Watling

Um casamento abalado. O marido já tem uma amante. A mulher lhe dá a notícia que está com leucemia. O marido larga tudo para se dedicar à mulher. Temática da morte e significado da vida com a proximidade do fim da mesma. A diretora já abordou o tema em seu filme “Minha Vida sem Mim” (com Sarah Polley).

“Place des Victoires”, de Nobuhiro Suwa
com Juliette Binoche, Martin Combes, Willem Dafoe e Hippolyte Girardot

Dor de uma mãe diante da morte do filho. Um cowboy imaginário alivia sua dor.

“Tour Eiffel”, de Sylvain Chomet
com Yolande Moreau e Paul Putner

Criança fala de como seus pais se conheceram. Mímicos que se encontraram em uma prisão. O universo lúdico e a França como pano de fundo me fizeram lembrar “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

“Parc Monceau”, de Alfonso Cuaron
com Nick Nolte, Ludivine Sagnier e Sara Martins

O diretor de “E tua Mãe Também” mostra uma conversa entre pai e filha por uma rua típica francesa. No entardecer as luzes das lojas de destacam. É filmado em take único. Começa com a câmera longe dos personagens e vai se aproximando na medida em que a conversa se torna mais próxima entre os dois.

“Quartier des Enfants Rouges”, de Olivier Assayas
com Maggie Gyllenhaal, Lionel Dray e Joana Preiss

Traficante sente atração e carinho por sua cliente (atriz americana que usa as drogas para agüentar o ritmo das filmagens de um filme de época).

“Place des Fêtes”, de Oliver Schmitz
com Seydou Boro e Aïssa Maïga

Paramédica encontra rapaz esfaqueado por quem sentiu atração em um relance pela rua. A música cantada pelo rapaz e a promessa de um café a dois unem dois momentos distintos. Trágico e bonito. Um dos melhores curtas.

“Pigalle”, de Richard LaGravenese
com Fanny Ardant e Bob Hoskins

Um casa noturna de striptease é palco para abordagem do amor entre dois atores de meia idade. Inversão da tendência em glamourizar a beleza da juventude. No filme, a stripper (bonita e atlética) é insignificante e casal é que enfocado com interesse.

“Quartier de la Madeleine”, de Vincenzo Natali
com Elijah Wood, Olga Kurylenko e Wes Craven

Mais americanizado de todos. Um vampira ataca um turista. Visual de revista em quadrinhos. Não tem muita relação com Paris. Destoa entre os demais.

“Père-Lachaise”, de Wes Craven
com Emily Mortimer, Rufus Sewell e Alexander Payne

Um casal sem muita afinidade se aproxima após o noivo bater a cabeça no túmulo de Oscar Wilde e o mesmo surgir e lhe abrir os olhos para a paixão. Evitando “a morte, do coração”.

“Faubourg Saint-Denis”, de Tom Tykwer
com Natalie Portman e Melchior Beslon

Relação entre jovem atriz e rapaz cego. Visualmente muito parecido com “Corra Lola, Corra”. Tom Tykwer sempre preciso ao abordar o amor.

“Quartier Latin”, de Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin
com Gena Rowlands, Ben Gazzara e Gérard Depardieu

Casal combina divórcio de maneira amigável bebendo vinho servido por Gérard Depardieu. Outro curta que aborda a maturidade.

“14ème arrondissement”, de Alexander Payne
com Margo Martindale

Para fechar, um dos melhores do filme. A carteira americana solitária que viaja para conhecer Paris. O filme é narrado assim como uma redação escolar “Minhas Férias”. Mostra a necessidade do ser humano de dividir os momentos importantes. Ter alguém para dizer “é lindo, não é?”. Sozinha, consegue sentir a alegria e a tristeza de se sentir viva. E ao final, se apaixona por Paris e por si mesma.


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