quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

The Amazing Mr. No Legs (1975?/1981?)



Filme B de ação em que o protagonista é um cadeirante. Isso mesmo! Só de imaginar a existência de um filme com esse título já começo a rir.

A trama gira em torno da morte da irmã de um policial. Um acidente que passaria despercebido se o envolvido na morte da moça não fosse um traficante de drogas. Mr. No Legs não deixa barato e mata o sujeito de imediato para a investigação não desvendar o esquema de tráfico do qual faz parte.

Mr No Legs faz parte de uma organização criminosa envolvida no tráfico de cocaína. Seu chefe tem ligações com a polícia e é intolerante. Mas Mr. No Legs não aceita ser mandado. É ranzinza o filme inteiro e suas ações são inconseqüentes. É um anti-herói típico. Sua cadeira de rodas é equipada com armamentos pesados além de estrelas ninja. E não pára por aí. Mr No Legs é mestre em artes marciais e quando se vê encurralado distribui pancada com direito a gritinho kung fu.

Uma dupla de policiais (um deles irmã da moça assassinada) está no encalço dos traficantes. Todo o desenrolar do filme gira em torno de investigações ao estilo policial anos 70 (dupla de tiras, perseguições alucinantes, várias situações de perigo) e alguns diálogos são hilários.

O filme tem três cenas antológicas. Uma é a briga à beira da piscina (postada logo abaixo) em que Mr. No Legs arrepia geral. A segunda é quando o policial descobre que sua irmã foi assassinada e vai para o bar se embebedar ao som da romântica música “I Still Remember Love” com desempenho ao vivo da banda Mercy. Outra é uma briga de bar que faz inveja a qualquer faroeste. Tem de tudo nessa briga! Mulher jogando copo de cerveja na cara da outra para depois se arrastar no chão num duelo de puxões de cabelo que termina com um enforcamento por um fio de orelhão; Mr. No Legs sorrateiramente esfaqueando uma donzela; um travesti desmascarado acertando a garrafa na cabeça de seu amante; um gordo (dono do bar) usando sua pança para derrubar os adversários e um anão fica só agitando a briga! Todo esse circo de horrores ao som de um rock anos 70 bem legal.

Mais uma pérola do cinema tosco. Diversão para os adeptos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Persépolis (2007)




Desde que li “Maus” minha concepção sobre o mundo das histórias em quadrinhos (HQs) mudou. Até então era fã de histórias como “O Cavaleiro das Trevas” e “Watchmen”. “Maus” mostra os horrores da Segunda Guerra Mundial. Judeus são representados por ratos, alemães por gatos, americanos por cachorros e poloneses por porcos. Trata-se de uma excelente obra literária. Tanto que ganhou prêmio Pulitzer de melhor livro.

Persépolis se assemelha muito a “Maus” não pelo conteúdo e sim pelo formato. Prioriza o contraste forte entre o preto e o branco. É também uma obra literária de grande valor. O cunho é autobiográfico. Conta a história de uma garota iraniana que sonha em mudar o mundo e as décadas de 70 e 80 no Irã são contadas a partir de sua perspectiva. Uma menina de classe alta com uma família estruturada vê-se privada de prazeres do mundo ocidental por uma ditadura religiosa. Uma jaqueta punk, uma fita do Iron Maiden, um tênis Adidas, uma garrafa de vinho na festa. Gostos pessoais e busca de uma identidade são tolhidos na infância e adolescência da protagonista.

Sentindo o potencial caráter subversivo da moça, seus pais a mandam para Áustria na tentativa de evitar que a filha tenha o mesmo destino de seus parentes inconformados. Sua passagem pela Europa é retratada sem glamour. O desconforto e insegurança da adolescência são externados através de seus relacionamentos incertos e tumultuados.

O mérito de Persépolis é ser fiel a uma história sem cair na tentação de torná-la encantadora. O humor vem daí. Uma adolescente em busca de identidade. Um tema universal contado em um país que reprime a individualidade. É um hino contra o preconceito e as generalizações.

Ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes em 2007

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Climax – Gusano Mecanico (1974)




Banda de rock progressivo boliviana. Incrível a qualidade desse power trio que mistura solos de guitarras agressivas com levadas progressivas de jazz rock e de fusion. Tanto a data do disco como a sonoridade da banda nos remetem a influências como Black Sabbath, Jimmi Hendrix, Santana e Pink Floyd em início de carreira. O álbum é composto de seis músicas que bebem do hard e do progressivo. Já os bônus vêm com excelentes levadas de rock n’roll clássico e blues. Destaque para cover de Steppenwolf “Nacido Para Ser Salvaje” (Born to be Wild), Jimi Hendrix “Fuego” (Fire) e Cream “El Resplandor de Tu Amor” (Sunshine of Your Love).

A capa do álbum é uma referência aos trabalhos do artista gráfico holandês Maurits Escher cheio de paradoxos visuais. Prato cheio para os amantes da psicodelia.

Mal dos Trópicos - Sud Pralad (2004)



“Todos nós somos feras selvagens por natureza. Nosso dever como seres humanos é tornarmos adestradores que mantêm seus animais sob controle e até os ensinam a cumprir tarefas distantes da bestialidade”

Com essa porrada do japonês Ton Nakajima em seu conto “A Besta Selvagem” o filme promete muita perturbação. Sensação que não é encontrada na primeira metade que é composta de uma relação de amor entre um camponês e um soldado. Vamos conhecendo o amor dos dois na mesma medida de um país tão distante para nós: a Tailândia. É no cotidiano de uma cidade tailandesa que vamos nos acostumar com o ritmo da película (assim com o idioma falado) que segue um padrão na primeira hora. Idas ao cinema, refeições com a família, saídas noturnas e ternura que termina em um plano seqüência com um dos amantes enamorado passeando com uma moto.

Agora a situação é outra. Tong (o camponês) desaparece. Keng (o soldado) ouve de vizinhos que há um monstro devorando vacas na região. A serenidade de Keng some. Ele que se mostrou sempre mais compromissado e pressionado na relação decide se infiltrar na selva. Uma estranha sensação se apodera do coração do soldado. Contra quem ele luta? O que ele busca? Existe um tigre. Será ele um fantasma? A besta selvagem? Ou seu amado Tong?

Poético filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul (ou “Joe”, ufa, como ele mesmo gosta que o chamem) requer compromisso do espectador. Choque estético e cultural. O cinema de Joe remete ao do italiano Michelangelo Antonioni. Fala da ausência, da angústia e da dificuldade de comunicação

Ganhador do prêmio do júri em Cannes em 2004. Ano em que o júri foi presidido por Quentin Tarantino e em que o documentário de Michael Moore Farhenheit 9/11 ganhou Palma de Ouro de melhor filme. Isso mesmo. Desbancou além do concorrente tailandês, outras duas obras primas do cinema oriental (“2046” do chinês Wong Kar Wai e “OldBoy” do coreano Chan-wook Park). Nem a presidência do júri teve peso na escolha da Palma de Ouro. Tarantino, assim como eu, queria “OldBoy” como o maior prêmio. Seus colegas de mesa não deixaram e escolheram o polêmico Michael Moore para sair vitorioso. Como prêmio menor, “Mal dos Trópicos” levou prêmio da crítica do Festival Internacional de São Paulo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O Reino – The Kingdon (2007)





Filmes americanos que envolvem política internacional insistem em pecar no sentido da auto-afirmação. Desde os atentados de 11 de setembro, filmes com maior cunho político vêm surgindo na medida em que o trauma com a catástrofe diminui. Destaque para o emocionante filme de Paul Greengrass (“Vôo United 93”) que quando o assisti não esperava nada e foi uma grata surpresa. “O Reino” vem engrossar a lista.

Um atentado terrorista em zona residencial americana em Riad, na Arábia Saudita, desencadeia um incidente internacional. O FBI se prontifica a ir ao local e iniciar uma investigação imediata e é dificultado por governos americano e saudita.

A direção é do novaiorquino Peter Berg. Não conheço nenhum trabalho seu. Tecnicamente é muito bom e tem a cara de seu produtor, Micheal Mann (“O Informante”, “Colateral”), tão preciso em filmes que conseguem extrair sentimentos mesmo em cenas de um tiroteio banal. A câmera inquieta quase o tempo todo editada como uma metralhadora pode até deixar o espectador tonto e o filme em momentos se assemelha a um jogo de videogame da nova geração (os jogos de guerra são hoje a maior aposta da indústria dos games).

Os atores não deixam o filme cair. Chris Cooper faz o estereótipo do americano. Jaime Foxx sempre é boa escolha para filmes de ação. A dupla de atores Ashraf Barhom e Ali Suliman (do arrebatador palestino “Paradise Now” e do israelense “A Noiva Síria”) são o destaque do lado saudita. Interessante é a aproximação entre o coronel saudita Faris (Ashraf Barhom) e a equipe americana. Pessoa íntegra e pai de família, o saudita transforma a antipatia em amizade e consideração e o espectador simpatia pelos dois lados. A relação dele com Fleury (Jaime Foxx) faz lembrar filmes de policiais (como “Um Tira da Pesada”) em que parceiros de profissão obrigados por circunstâncias trabalham juntos e aprendem a se respeitar.

Apesar de um final com uma mensagem crua, sincera e realista; as aspirações de Peter Berg como um filme político param por aí. A película se torna ao todo um grande filme de ação, um potencial game de sucesso. Para quem não se contenta com isso, sugiro o palestino “Paradise Now”.


terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Interpol – Our Love to Admire (2007)



Muitos falam que o segundo disco de uma banda surge como teste de qualidade. Não concordo. O segundo disco pode trazer idéias que não couberam no primeiro. O sucesso de um primeiro pode impulsionar a composição de um segundo e por aí vai. Já o terceiro disco não. O terceiro consolida a união de uma banda que agora já está acostumada a críticas.

Penso que agora o Interpol já se livrou das comparações e se firma por um estilo próprio. Estilo esse que sempre senti desde o início da banda mas que os críticos queriam rebaixá-lo a uma onda de revival anos 80 que teria o foco principal o Joy Divison.

O álbum começa muito elegante com Pioneer to the Falls semelhante ao seu álbum de estréia Turn on the Bright Lights que inicia com Untitled. Aliás, Untitled é o prenúncio de todo o tom soturno que acompanha a carreira do Interpol até hoje, de como ele chegará de surpresa quando estamos deprimidos. “A alma pode, então, espera”

As outras músicas que marcaram no álbum foram “Scale”, “The Heinrich Maneuver” e “Pace is a Trick”. O “Scale” traz o ritmo característico do Interpol e mostra cruezas de um relacionamento. “The Heinrich Maneuver” mostra uma visão política até antes não esboçada por essa banda de Nova Yorke e fala sobre a noite no ocidente. Provavelmente “Pace is a Trick" foi a música que mais escutei no ano passado. Todo o clima obscuro de suas guitarras e baixo está aqui, a sofrida voz de Paul Banks e as letras que mais uma vez mostram a inquietude humana.

Como terceiro álbum da banda, o Interpol convenceu apesar de o disco num todo não ter a mesma força que os dois antecessores. Aos felizardos que poderão ver a banda no dia 11 de março no Via Funchal em São Paulo boa viagem ao obscuro mundo do Intepol. Para mim, só resta lamentar o fato de um show em plena terça feira.

Site da banda: http://www.interpolnyc.com/

Vídeo – Pace is a Trick


Fora de Rumo – Derailed (2005)



Quando vi 1408 decidi que iria atrás do diretor sueco Mikael Håfström para ver outros trabalhos seus. Por acaso achei um de seus filmes nas madrugadas da HBO. É sua estréia em Hollywood e escolheu dois famosos como protagonistas (Clive Owen e Jennifer Aniston).

Trata-se de um publicitário (Clive Owen) que tem uma vida estável familiar e economiza dinheiro para um tratamento inovador de sua filha diabética. Estabilidade ameaçada em muitos aspectos a partir do momento que conhece Lucinda (Jennifer Aniston). Também casada e com filho. Os dois se entregam lentamente e passam pela estranheza da traição até o momento que são abordados por um marginal (Vincent Cassel) que inicia um jogo de chantagem pelo fato de o publicitário ser casado.

As atuações são razoáveis. Pontos positivos para Jennifer Aniston que mais uma vez deixa de escolher um papel água com açúcar querendo se livrar do estigma de boa moça. Já Vincent Cassel parece ter aceitado o papel apenas para ganhar uns trocados. Está estereotipado como francês e sua atuação é fraca em vista de todo o potencial que o ator já mostrou em seus trabalhos em sua terra natal (como Irreversível e O Ódio).

O roteiro tem altos e baixos. Quando penso que vai atingir a cretinice, o filme se recupera com seqüências boas. O filme garante surpresas e reviravoltas e acaba sendo interessante em alguns pontos. É, em um todo, irregular mas não é ruim. Talvez por inexperiência com o cinema americano e a real dificuldade que é fazer um thriller coeso.

Espero que o filme seja o início de uma crescente desse diretor sueco em Hollywood já que 1408 é posterior e bem melhor.



segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

The Bird People in China - Chûgoku no chôjin (1998)



Antes de falar sobre o filme preciso comentar um pouco sobre seu diretor. O japonês Takashi Miike é uma pessoa impossível de se imaginar antes de sua existência. Incrível é verificar que em 15 anos de carreira já concluiu mais de 70 filmes. Uma produção frenética assim como é a elaboração de seus filmes. A palavra que mais se encaixa em seu perfil é versatilidade. Dois temas são preferidos pelo diretor: yakuza e terror. Mas mesmo nessas duas linhas de cinema tão recorrentes no Japão, Miike filma com a coragem que ninguém mostrou até hoje. O que marca seus filmes é o impacto visual. Difícil ficar indiferente à obra de Miike. Vale lembrar que o diretor já passeou pelo drama, musical, épico, mangá, western(!!??) e tem até um filme com trechos em um bairro brasileiro com diálogos em português e uma rinha de galos feita em computação gráfica.

The Bird People in China fala sobre um funcionário japonês (Mr. Wada) que é convocado por sua empresa a ir para o interior da China em busca de pedras de jade (pedra ornamental típica da China). Junto com ele vai um yakuza (Mr. Shen)que tem ligações com sua empresa e aguarda as pedras como pagamento de uma dívida. Mal sabem que o que os aguarda é uma jornada de autoconhecimento pelo coração da província de Yun Nan na China.

O humor de Takashi Miike é diferenciado e ocasionalmente lembra seu conterrâneo mais famoso Takeshi Kitano com personagens desajeitados com flutuações de humor e supostos vilões carismáticos.

Cada personagem vivencia uma diferente sensação. Todas elas relacionadas com a mudança de seus cotidianos. Tanto os visitantes japoneses como os locais chineses são afetados por uma nova realidade vivenciada a partir de experiências não usuais que se contadas aqui estragariam toda a ação que reserva o inusitado do filme.

Em tempos em que o karoshi (morte por sobrecarga de trabalho) é um problema nacional japonês, nada melhor que um diretor tão produtivo como Takashi Miike para nos trazer um filme que fala muito de escapismo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Um Jogo de Cena (2006)



Através de um anúncio de jornal, mulheres são convocadas para depoimentos com a intenção de fazerem parte de um documentário. A intenção do diretor Eduardo Coutinho seria fazer uma coletânea de depoimentos reais e mostrá-los a atrizes para representação.

A grande sacada desse documentário/ficção é a forma como é editado. Se não fossem pelos rostos de algumas atrizes consagradas ou por revelações finais de cada depoimento de como é representar uma pessoa real, atrizes e não atrizes iriam se mimetizar confundindo-se ao longo da película. Tudo isso pela habilidade do diretor em deixá-las à vontade.

Cada atriz escolhe uma maneira singular de interpretar sua correspondente da vida real.

Eduardo Coutinho está de parabéns pela inovação. Mostra angústias, alegrias e decepções de mulheres, num relato emocionante, autêntico e sincero.


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

.45 - A Vitória é a Vingança (2006)



Estréia do diretor Gary Lennon nos cinemas. Escolheu a musa ucraniana Milla Jovovich para interpretar uma mulher que sofre nas mãos de um namorado bandido. Big Al (Angus MacFayden) é a personificação do machão. Canastrão em sua roupa de couro (estilo bad boy) que não que não se importa com a opinião alheia, inclusive de sua namorada. Tem rompantes de ciúme exagerado potencializado pelo uso de drogas. Mesmo apanhando, Kat (Milla Jovovich) continua apaixonada por Big Al apesar do inconformismo dos amigos. É a típica “mulher de malandro”.

O filme é contado através de depoimentos. O primeiro é da própria protagonista que enfatiza o tamanho do membro de seu namorado. O diretor tenta criar um clima cool mas erra demais em diálogos desnecessários. Assim como a nudez gratuita da atriz. A forma como Milla é exposta no filme me faz pensar que a mesma está disposta em acertar em um papel denso. Não é desta vez que consegue.

Desastrosa é a maneira como é abordada a redenção de Kat. Aprende que para conseguir o que quer basta usar a tríade de atributos femininos “lips, hips and tits” (lábios, quadris e peitos).

Nenhum dos atores tem carisma. O filme parece uma denúncia da violência contra a mulher e de suas implicações.

Filme elogiado pela crítica que me faz preocupar com os caminhos que o cinema independente americano está tomando.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford - The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (2007)



O novo filme de Brad Pitt já vem estereotipado por dois fatos. A extensão da projeção e de seu título. É um filme que vem antecipado por polêmicas. Pitt e o diretor Andrew Dominik brigaram muito na montagem do filme. Todo o preconceito por filmes longos e lentos de um público americano ávido por tiroteio e resolução de tramas era o que Brad Pitt quis evitar. Mas o inexperiente diretor não queria ceder e parece que em parte conseguiu. O filme é lento e cheio de paisagens. Mas não é demérito da película.

Robert Ford é o assassino da tragédia já anunciada. Interpretado por Casey Affleck, nutre um sentimento dúbio a Jesse James (Brad Pitt). De idolatria a decepção, o ator consegue passar toda incerteza de sentimentos em relação ao bandido mais famoso da época nos Estados Unidos. Sua atuação é marcante e diferenciada.

Brad Pitt fez um bom papel. Arrebatou o Leão de Prata (melhor ator) em Veneza. Apesar de ser cheio de atuações memoráveis, Pitt não se deixa ofuscar pelos outros atores e convence.

Já Sam Rockwell (irmão de Robert Ford no filme) dá um show de interpretação. Começa aparecendo como o irmão mais velho, inseguro e medroso. Pressente a tragédia. O assassinato o transforma. Sublime atuação!

Outros destaques do filme são a fotografia e a trilha sonora. Quem assina a fotografia é Roger Deaknis (de “A Vila” e “Kundun”). Capta cenas através de vidraças distorcidas e ângulos inesperados gerando tensão que permeia toda a película em função das inesperadas reações de Jesse James. A trilha sonora também ajuda. Nick Cave (um australiano pra lá de sinistro que tem queda por abordar a morte) se junta a seu antigo parceiro Warren Ellis e dá um ar agradável e sombrio ao mesmo tempo. Quem conhece Nick Cave sabe muito bem do que estou falando.

Voltando ao assunto da extensão do filme. A pergunta que muitos fazem: Por que um filme tão longo para anunciar o fato já revelado no título? Mesmo com os quarenta minutos finais magníficos, penso que os 160 minutos são extremamente necessários. Só assim conseguimos nos acostumar com os personagens a ponto de não acreditarmos em mudanças de comportamento em outras oportunidades.

O grande mérito do filme é não querer copiar os westerns já consagrados e criar um próprio estilo. Estilo que o diretor mostrou antes de o filme ficar pronto. Lutou por suas idéias, mesmo pressionado por executivos que lucram com a massificação da cultura.