terça-feira, 12 de julho de 2011

Sobrenatural - Insidious (2010)

Tenho uma dívida com o terror. Ando vendo poucos filmes do gênero e isso me incomoda. Já fui referência sobre o assunto. Desde o sucesso dos terrores orientais, perdi a mão. Penso até em ver O Chamado novamente. O filme emplacou e eu não gostei. Vi alguns filmes asiáticos que não me agradaram e sem querer acabei deixando de lado o meu fascínio pelo terror na escolha dos filmes a serem assistidos.

Terror é realmente algo polêmico. Muitos não gostam, acham desnecessário. Principalmente os críticos. Aliás, gostam, desde que o diretor seja uma unanimidade (como Stanley Kubrick em O Iluminado). Mas rótulos não me interessam e sou capaz de gostar de certos filmes que para muitos são ridículos. O que vale realmente é o sentimento nos segundos imediatos ao final do filme. Essa sensação é o que categoriza um filme para mim. A de Sobrenatural foi das melhores.

Os temas do terror andam desgastados. Não há muito critério para se fazer um roteiro. Basta misturar imagens fortes com alguns pipocos para assustar o espectador que no final a estória contada perde o valor. Sobrenatural aparece para confirmar que um grande filme de terror precisa de um roteiro convincente.

Um casal, Josh e Renai (Patrick Wilson e Rose Byrne), assombrado por algo ruim. Não bastando acontecimentos estranhos pela casa, o filho sofre um acidente quase sem gravidade que o leva a um coma inexplicável pela medicina. A rotina do casal vai se arruinando lentamente por tal fatalidade. A busca por respostas abre portas para a médium Elise (Lin Shaye) e seus assistentes (nerds munidos de aparatos de freqüência eletromagnética). Cheiro de charlatanismo. O casal, porém, se depara com uma possível explicação para o acontecido. Algo diferente de tudo que já vi no cinema. Ponto mais forte do filme. Uma quase humanização do desconhecido sobrenatural chega a ser muito plausível e dá força a tudo o que está sendo contado. Bem diferente das motivações de tantos filmes de terror sem expressão. Não quero estragar aqui expondo o que é dito no filme. Reservo a quem nunca o assistiu ter a mesma surpresa que a minha.

Takes de câmera ousados com uma atmosfera assustadora. Um terror que aparenta modernidade faz resgate ao clima oitentista do gelo seco. A mudança se dá quando o filme aborda o sobrenatural e o contraste entre os dois mundos (e as duas maneiras de se filmar) faz o espectador também entrar em um ambiente bem diferente. Ambiente parecido com clássicos como Poltergeist e A Casa do Espanto toma lugar na película que inicialmente mais se aproxima do clima vivido em Atividade Paranormal.

Uma cena entra para os arquivos da minha mente e dificilmente sairá. Isso faz com que meu apreço pelo filme aumente muito. É algo pessoal, talvez psicologicamente explicável. Cada pessoa guarda imagens inesquecíveis. Difícil é descrever o tanto que gostei da cena em que Renai está no jardim, escuta uma música vinda da casa e ao conferir pela janela vê de relance um espectro dançando ao lado do aparelho de som. Música que se repete posteriormente. É algo muito estranho e assustador.

Uma sessão comandada pela médium Elise busca contato com o sobrenatural. Há algo de exagerado que me agrada muito no filme. Seja pelo rosto de Elise ao descrever o Além ou pelo absurdo como o ambiente é mostrado na segunda parte do filme. O conceito foge da idéia de pesadelo e mais parece uma expedição de um trem fantasma em outra dimensão. Incrível é conceber algumas imagens e cenas que isoladamente são cafonas, mas editadas da maneira como são, tornam-se extremamente convincentes.

Apesar de todos os clichês e referências cinematográficas (que são muitas), não é um filme insidioso para quem gosta do gênrero. Surpreendente em toda a sua concepção, Sobrenatural é uma grande obra do terror contemporâneo.

Nenhum comentário: